Diretor do Parque participa de matéria no jornal O Globo sobre futuro do setor de óleo e gás

Diretor do Parque participa de matéria no jornal O Globo sobre futuro do setor de óleo e gás

17/10/2016

Fonte: O Globo

Perspectivas no setor de óleo e gás começam a melhorar

Contratações podem começar no segundo semestre do ano que vem Quando e como o mercado de óleo e gás retomará o fôlego é uma questão cuja resposta certamente vale milhões. Mas, ainda que o cenário predominante continue marcado por incertezas, novos ventos já começaram a soprar sobre o setor. Seja pelo aumento nos preços do barril de petróleo ou pela polêmica abertura na exploração do pré-sal, quem atua no ramo já começa a vislumbrar um aquecimento. — O humor da indústria já mudou. Embora isso ainda não tenha se transformado efetivamente em postos de trabalho, há dois anos, se você conversasse com um executivo, ele diria que não havia perspectiva de melhora. Hoje eles já falam que terão um segundo semestre bacana no ano que vem — afirma Alessandra Simões, headhunter e sócia da empresa de recrutamento executivo Up Hill com forte experiência em óleo e gás. O diretor executivo do Parque Tecnológico da UFRJ, José Carlos Pinto, lembra que, entre altos e baixos, este é um ramo tão poderoso no Brasil que dificilmente perderá seu caráter de “promissor”. — Quando a gente olha a longo prazo, existe uma sensação generalizada de que já passamos pelo fundo do poço. As expectativas são muito grandes em relação à recuperação. No Brasil, várias empresas já estão fazendo plano de retomada nos investimentos para o ano que vem e 2018 — afirma ele. EM BUSCA DE JOVENS Ele destaca que, apesar da crise, a Petrobras vem batendo recordes (o total de petróleo e gás natural produzido no país em agosto ultrapassou o recorde anterior alcançado em julho) e todas as projeções indicam que a importância do Brasil vai aumentar muito nos próximos anos. Isso porque a quantidade de jazidas que ainda estão por serem descobertas é alta, enquanto o consumo de energia interno ainda é menor do que nos países desenvolvidos. — Então, não há nenhuma expectativa de redução — conclui Pinto. E num mercado que precisa se renovar, a figura do jovem deverá ganhar cada vez mais atenção dos recrutadores. Este ano, em paralelo à grande feira do setor Rio Oil & Gas, que acontece entre 24 e 27 de outubro no Riocentro, será realizada, pela primeira vez no país, o WPC Future Leaders, considerado o maior encontro de jovens profissionais da área de petróleo. Entre as pautas estará justamente o desafio de atrair jovens qualificados para o setor. O encontro é todo organizado por voluntários dessa faixa etária e que atuam em empresas do ramo ao redor de todo o mundo. Um deles é Victor Alves Couto, que trabalha como coordenador em uma grande empresa da área e atua como coordenador do Comitê Jovem do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP). Ele é um entusiasta da indústria : — As empresas querem jovens talentosos que possam ser o CEO de 2030. Com 27 anos de idade e sete dedicados à vida profissional, Couto é tecnólogo em Petróleo e Gás e está concluindo Engenharia de Produção na Estácio de Sá. Ele começou sua carreira logo que saiu do ensino médio, quando o mercado estava no auge. Mesmo vendo a crise bem de perto, não se abalou quanto às suas escolhas. PUBLICIDADE — A gente tem que entender que a indústria é cíclica e somos o setor que, literalmente, move o mundo. Mesmo num momento de crise, isso me incentivava, além do fato de ser uma área que me possibilita ter um salário acima da média geral — comenta Couto, sem revelar os números do seu contracheque. Para ele, o momento é de alavancagem. E quem sonha com uma contratação precisa focar nas experiências desde já. — Quem tem oportunidade deve fazer um bom trabalho na empresa, se envolver nos eventos e nas comapnhias, além de dialogar com as diferentes organizações e até com o governo — recomenda ele. — Durante a crise, as pessoas mais engajadas em buscar coisas novas para valorizar o seu setor foram as que conseguiram segurar seus empregos. PREPARAÇÃO COMEÇA AGORA Enquanto as contratações no setor de óleo e gás não retomam o fôlego, há quem faça suas apostas nas áreas que darão os primeiros sinais de aquecimento. Para o diretor executivo do Parque Tecnológico da UFRJ, José Carlos Pinto, o mercado tem demandado muita tecnologia, já que a exploração se dá em regiões cada vez mais inóspitas. — Precisamos de conhecimentos mais específicos. Há 50 anos, não havia uma necessidade tão grande de conhecimento em engenharia submarina e oceânica como hoje — compara ele. Segundo Pinto, a indústria atual é fortemente automatizada e interligada com a internet e os sistemas de informação. Por isso, engenheiros relacionados à transmissão de dados, sistemas de construção e manutenção e engenheiros de materiais terão muitas oportunidades. — A indústria tem que ser cada vez mais inteligente e vai precisar de mão de obra altamente especializada e qualificada — prevê Pinto. Aos mais jovens, o secretário-geral do IBP, Milton Costa Filho, avisa que uma mudança de tripulação já está acontecendo e a retomada é inevitável. Afinal, se isso não acontecer, “vai faltar energia no mundo”. — O momento é de se especializar, fazer estágio e buscar contatos. Os jovens precisam estar estudando e se capacitando para esse novo momento — aconselha Filho. Segundo ele, saltará aos olhos dos recrutadores aqueles que demonstrarem ideias inovadoras e iniciativa. — Não estamos mais vivendo dias de barril a US$ 120. As empresas estão contanto centavos para aprovar um projeto. Então o candidato tem que ser muito eficiente, para que a companhia reconheça seu potencial e entenda como vale a pena investir nele — define Filho. O economista e coordenador-adjunto de Economia do Ibmec/RJ, Ricardo Macedo, também afirma que a maioria das previsões indica uma retomada no segundo semestre do ano que vem e no início de 2018. Para ele, os centros de contratação devem ser os mesmos, mas é importante que as pessoas estejam dispostas a mudar de cidade e estado, em função de projetos que devem ser retomados. PUBLICIDADE — O carioca deve estar disposto a ir para Campos e Macaé ou até Espírito Santo e estados do Nordeste — avisa ele. Em tom mais moderado, o coordenador da Federação Nacional dos Petroleiros, Emanuel Cancella, vê com preocupação o futuro do mercado. É que a Câmara dos Deputados aprovou recentemente o projeto de lei que retira a obrigação de a Petrobras ter 30% de participação nos campos da região original do pré-sal. Cinco destaques apresentados ao texto ainda precisam ser apreciados antes de seguir para sanção presidencial. Mas a medida, segundo ele, permitirá uma forte entrada de empresas estrangeiras em substituição à nacional. — O jovem, mesmo no pior cenário, terá emprego na área de produção e exploração. Mas os postos mais qualificados vão para a mão de obra estrangeira, em função da natureza das empresas que assumirão esses postos — avalia Cancella.